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Alguns projetos começam com um escopo bem definido. Outros chegam como uma necessidade que ainda precisa ganhar forma. Na gestão de projetos sociais, isso pode significar conduzir programas de voluntariado, pesquisas, trilhas formativas, processos de aceleração, avaliações, eventos e iniciativas que reúnem várias dessas frentes ao mesmo tempo. Para Michelle Freire e Bruna Tarifa, essa diversidade faz parte da rotina e ajuda a explicar a forma como o time que integram foi se construindo dentro da MGN.
As duas chegaram aqui em momentos diferentes e por caminhos bastante distintos. Michelle está na MGN há cinco anos e entrou para atender especificamente o Instituto C&A, trazendo uma combinação entre sua formação em Marketing, experiência em rotinas de gestão e uma relação de longa data com o universo da moda. Bruna chegou em 2024 para coordenar a execução de uma pesquisa do Instituto Natura e trouxe consigo uma bagagem especialmente ligada à pesquisa, análise de dados e construção de experiências de aprendizagem.
Com o tempo, as duas passaram a atuar juntas em um conjunto cada vez mais diverso de projetos. E é justamente na combinação de repertórios diferentes que o time encontrou uma de suas principais características: a capacidade de assumir desafios variados, compreender o que cada projeto realmente precisa e construir caminhos para fazê-los acontecer.
A relação de Michelle com a MGN começou a partir de uma inquietação que já fazia parte de sua trajetória. Apesar de ter trabalhado por muitos anos em áreas administrativas, atendimento, vendas, eventos e apoio à gestão, ela sempre manteve uma proximidade especial com a moda. Estudou modelagem, corte e costura e trabalhou como orientadora pedagógica em uma escola do setor.
Mais do que interesse pelo produto final, porém, Michelle se interessava pelas questões sociais relacionadas à cadeia produtiva da moda. Entender quem produz, quais oportunidades essas pessoas encontram e como contribuir para um setor mais inclusivo foram reflexões que acabaram aproximando sua trajetória do Instituto C&A e, consequentemente, da MGN.
Nos primeiros anos, sua atuação ficou concentrada na gestão do programa de voluntariado do Instituto C&A. Na prática, isso significava acompanhar um calendário anual que poderia reunir desde ações estruturais e eventos até mentorias, formações, visitas técnicas e iniciativas com empreendedores. Foi nesse período que Michelle consolidou uma expertise que hoje reconhece como uma de suas principais competências: a gestão de programas de voluntariado.
Essa experiência também moldou a forma como ela conduz os projetos. Para Michelle, estruturar uma ação exige olhar simultaneamente para quem deseja contribuir e para quem receberá aquela iniciativa. A escuta das organizações e dos beneficiários, portanto, ocupa um espaço importante no planejamento. É a partir dela que o time consegue propor experiências que atendam aos objetivos da empresa sem desconsiderar a realidade, as necessidades e os limites de cada território.
Bruna chegou à MGN por outra porta. Nutricionista de formação, construiu boa parte de sua experiência inicial no ambiente acadêmico, participando de iniciação científica e de projetos de pesquisa na Unifesp. Mais tarde, levou esse olhar para sua atuação na Nestlé, trabalhando com dados e pesquisas relacionadas à nutrição. Ao longo da trajetória, também se especializou em Marketing e Gestão e teve experiências ligadas ao design instrucional e à construção de trilhas educacionais.
Foi justamente a pesquisa que a trouxe para a MGN. Em 2024, Bruna entrou para coordenar a execução de um projeto do Instituto Natura com atuação em diferentes países da América Latina. O que inicialmente seria uma experiência dedicada a esse trabalho acabou se tornando sua entrada definitiva na equipe.
Desde então, seu repertório com pesquisas, indicadores e dados passou a complementar outras competências do time. Projetos da Gerdau e do Sicoob, por exemplo, incorporaram esse olhar, enquanto sua atuação ao lado de Michelle ampliou também sua experiência em voluntariado e gestão de projetos.
Essa troca acontece nos dois sentidos. Se Michelle acumulou mais experiência na gestão de voluntariado, Bruna trouxe uma bagagem mais aprofundada em pesquisa e indicadores. Em vez de delimitar rigidamente quem faz o quê, as duas foram construindo uma dinâmica em que uma assume maior protagonismo de acordo com as necessidades de cada projeto, enquanto a outra acompanha, contribui e amplia seu próprio repertório.
Hoje, o trabalho do time passa por programas de voluntariado, aceleração de iniciativas e negócios, pesquisas, trilhas formativas, diversidade, diagnósticos territoriais e processos de avaliação. Essa variedade também significa lidar com projetos que podem durar meses, reunir diversas etapas e envolver públicos muito diferentes.
Entre os trabalhos realizados estão projetos de aceleração para a Auren e a Floresta Produtora, iniciativas de voluntariado para Instituto C&A e Echoenergia, projetos relacionados à diversidade e pesquisas, além de experiências de diagnóstico e desenvolvimento territorial. Mais recentemente, o time também participou da estruturação de um processo de avaliação de conformidade para o Concurso Nacional de Sustentabilidade do Sicoob, construindo desde as etapas e critérios do processo até a coordenação das avaliações, entrevistas e pareceres.
Apesar das diferenças entre as entregas, existe um desafio que aparece com frequência quando um novo projeto começa: transformar uma necessidade inicial em um escopo realmente executável.
Nem sempre o que chega do cliente está completamente definido. Mesmo quando existe uma proposta aparentemente pronta, ainda é necessário aprofundar objetivos, organizar expectativas, avaliar possibilidades e construir um cronograma compatível com a realidade da iniciativa. Para Michelle e Bruna, esse é um momento em que a postura propositiva faz diferença.
O trabalho do time envolve sugerir caminhos, antecipar riscos, fazer alertas e construir soluções em conjunto com o cliente. Em programas mais complexos, essa capacidade se torna ainda mais relevante: uma mesma iniciativa pode combinar ações estruturais, mentorias, formações, pesquisas ou diferentes públicos, exigindo que várias frentes avancem simultaneamente sem perder a conexão entre elas.
É nesse cenário que a diversidade de experiências das duas se transforma em uma vantagem. O repertório acumulado não oferece uma resposta pronta para todos os projetos, mas amplia a capacidade de fazer as perguntas certas e encontrar soluções adequadas para cada contexto.
Entre tantos projetos, algumas experiências ajudam a traduzir o que esse trabalho representa na prática.
Para Bruna, o projeto de pesquisa do Instituto Natura ocupa um lugar especial justamente por ter sido seu primeiro contato com a MGN. A dimensão da iniciativa, envolvendo diferentes países da América Latina, permitiu que ela colocasse em prática uma área com a qual já tinha forte identificação e, ao mesmo tempo, abriu caminho para todas as experiências que vieram depois.
No voluntariado, uma das primeiras ações que a marcou aconteceu no Instituto C&A, em uma iniciativa que aproximou estudantes de uma ETEC da realidade profissional da empresa. A experiência permitiu que ela acompanhasse de perto uma ação corporativa de voluntariado e começasse a construir, ao lado de Michelle, o repertório que hoje leva para outros projetos.
Para Michelle, uma das experiências mais significativas também nasceu dessa relação de longa data com o Instituto C&A: o projeto desenvolvido com o Coletivo Tem Sentimento.
A iniciativa foi construída como uma trilha formativa em diferentes etapas. Primeiro, voluntários compartilharam conhecimentos sobre o processo de criação de uma coleção. Depois, as participantes desenvolveram seus próprios produtos e tiveram a oportunidade de apresentá-los em um desfile realizado na C&A.
O que tornou a experiência especialmente marcante para Michelle foi acompanhar o processo de apropriação daquele conhecimento pelas participantes. Mais do que concluir uma formação, elas passaram a se enxergar como capazes de criar, desenhar e desenvolver seus próprios produtos. E o aprendizado não terminou com o projeto: os conhecimentos adquiridos continuaram sendo utilizados pelo Coletivo em sua produção e comercialização.
“A gente fez essa pessoa se sentir capaz de criar, e ela criou de fato. Foi muito bonito ver aquelas pessoas acreditando no que estavam construindo.” - Michelle Freire
É nesse tipo de resultado que Michelle identifica uma das dimensões mais importantes dos projetos de aceleração: fortalecer a confiança de quem participa para que organizações, empreendedores e beneficiários possam continuar desenvolvendo seus próprios caminhos.
No voluntariado, o impacto assume outras formas. As ações aproximam colaboradores de realidades que muitas vezes estão distantes de sua rotina, criam novas relações com os territórios e ajudam a sensibilizar os participantes para diferentes questões sociais. Para Michelle, situações aparentemente simples, como perceber que nem todas as pessoas têm computador ou acesso estável à internet para participar de uma mentoria, podem provocar mudanças importantes de perspectiva.
Esse contato também pode transformar a relação entre empresas e comunidades. Quando uma organização passa a ser reconhecida não apenas por seus produtos ou serviços, mas também pela maneira como se relaciona com determinado território, o voluntariado ganha uma dimensão que ultrapassa o dia da ação.
A diversidade dos projetos também tem um efeito importante sobre quem os realiza.
Para Bruna, trabalhar na MGN significa estar constantemente exposta a novos temas, territórios, organizações e formas de pensar. Cada projeto traz a possibilidade de aprender algo diferente, seja conduzindo uma pesquisa em diferentes países, estruturando uma avaliação, participando de uma ação de voluntariado ou conhecendo uma nova comunidade.
Esse aprendizado está diretamente conectado ao sentido que ela encontra no próprio trabalho. Depois de experiências profissionais em outras áreas, Bruna reconhece na atuação com impacto social a possibilidade de acompanhar com mais clareza o que acontece depois de uma entrega. O resultado deixa de ser apenas um produto concluído e passa a aparecer nas pessoas, nas organizações e nas relações construídas ao longo do processo.
“Eu acho que é muito aprendizado. Estou sempre aprendendo coisas novas, vendo coisas novas, conhecendo outros territórios, outras pessoas e outras organizações.” - Bruna Tarifa
Michelle também destaca o aprendizado contínuo, mas associa essa evolução especialmente à autonomia e à confiança recebidas para enfrentar desafios que nem sempre faziam parte de seu repertório inicial. Ao longo dos anos, assumir projetos diferentes fez com que desenvolvesse novas competências e descobrisse, na prática, capacidades que ainda não sabia que tinha.
Para ela, esse desenvolvimento profissional se conecta a uma dimensão pessoal importante: a possibilidade de contribuir para aproximar recursos, conhecimento e oportunidades de pessoas e organizações que realizam trabalhos relevantes em seus territórios. É uma percepção que ajuda a dar sentido tanto às grandes entregas quanto às pequenas decisões que fazem parte da gestão cotidiana de cada projeto.
As trajetórias de Michelle e Bruna mostram, assim, duas formas diferentes de chegar ao mesmo lugar. Uma trouxe o voluntariado, a gestão e a proximidade com a moda. A outra chegou pela pesquisa, pelos dados e pelas experiências educacionais. Ao trabalharem juntas, essas especialidades deixaram de funcionar de maneira isolada e passaram a formar um repertório compartilhado.
É também assim que o time cresce: um projeto ensina algo que será levado para o próximo, uma experiência amplia a capacidade de enfrentar um novo desafio e diferentes conhecimentos se encontram para construir soluções mais completas.
No fim, talvez seja justamente essa combinação que melhor defina o trabalho das duas na MGN: gestão com escuta, repertórios que se complementam e disposição para aprender continuamente, transformando necessidades diversas em projetos capazes de gerar impacto para empresas, organizações, comunidades e para quem participa dessa construção.