
Clientes:
Instituto Unibanco (educação e impacto social), em parceria com a Secretaria de Estado da Educação do Piauí
O Instituto Unibanco convidou a MGN, em conjunto com a Secretaria de Estado da Educação do Piauí, para criar e facilitar uma experiência voltada a cerca de 250 estudantes do Ensino Médio, a maioria deles lideranças de grêmios estudantis.
O desafio era estimular esses jovens a refletir sobre questões complexas da educação pública, como gestão democrática, equidade de oportunidades, recomposição das aprendizagens e a relação entre estudantes, professores e gestão escolar. Uma sequência de palestras não daria conta disso. Era preciso construir uma metodologia em que os estudantes partissem das próprias vivências, discutissem problemas concretos, construíssem propostas coletivamente e transformassem essas ideias em produtos capazes de comunicar suas visões para outros jovens.
Havia também um desafio operacional: mobilizar, em um prazo curto, uma equipe local de nove profissionais no Piauí, entre facilitadores e especialistas em diferentes linguagens criativas.
A MGN estruturou o encontro como uma jornada participativa apoiada em metodologias ativas, cultura maker e processos de inovação educacional. A lógica central era tirar os estudantes de uma posição exclusivamente receptiva e colocá-los em movimento, criando uma espécie de mini sprint criativo organizado em quatro momentos: desafio, ideia, prototipagem e expressão e compartilhamento. O percurso pode ser resumido assim: refletir, discutir, criar, comunicar.
A programação começou com uma abertura institucional e uma palestra de repertório sobre políticas públicas e recomposição das aprendizagens. Em seguida, os cerca de 250 estudantes se dividiram em cinco salas temáticas, cada uma com aproximadamente 50 participantes. Técnicos da Secretaria de Educação conduziram as rodas de conversa, com apoio de facilitadores da MGN. Nas rodas, com cerca de 50 minutos cada, os jovens discutiram cinco eixos:
Depois das rodas, cada sala se dividiu em quatro subgrupos, formados por afinidade com uma linguagem de expressão: áudio, vídeo, cartaz ou lambe-lambe e fanzine. Cada grupo recebeu um template específico para planejar seu produto antes de produzir, respondendo a perguntas como qual problema abordar, por que ele é relevante e qual solução propor. Durante cerca de 90 minutos, os estudantes desenvolveram seus produtos com apoio de três laboratórios criativos: Narrativas Sonoras, Storytelling Audiovisual e Design e Cultura Visual, cada um com equipamentos e especialistas próprios.
O encontro se encerrou com a Feira de Compartilhamento, um circuito de cinco painéis temáticos em que os grupos apresentaram seus produtos e percorreram as produções dos colegas. Uma dinâmica de passaporte, com carimbos entregues a cada estação visitada, incentivou a circulação e o reconhecimento entre pares ao longo da feira.
O relatório do evento reúne evidências de participação, produção e observação qualitativa, sem uma avaliação formal de impacto. Os cerca de 250 estudantes se envolveram ativamente em todas as etapas, produzindo vídeos, áudios, cartazes, lambe-lambes e fanzines conectados a problemas reais do cotidiano escolar. Na feira, os grupos trocaram bastante entre si, com estudantes assumindo tanto o papel de autores quanto de ouvintes das propostas dos colegas.
As contribuições registradas ao longo do dia deram origem a dois desdobramentos. A Carta de Compromisso das Juventudes do Piauí pela Educação sistematizou, a partir dos cinco eixos temáticos, os compromissos coletivos dos estudantes com temas como combate ao bullying, saúde mental, diálogo com a gestão escolar e fortalecimento dos grêmios. Um Mapa de Adesão georreferenciado reuniu as escolas participantes, dando visibilidade à abrangência territorial da mobilização e criando uma base para articulações futuras entre as lideranças estudantis.
A metodologia usada mostra que estrutura e autonomia não competem entre si. Os estudantes tiveram liberdade total para escolher problemas, linguagens e mensagens. Roteiros, templates e mediação deram um chão mais seguro para essa liberdade, o que qualificou as propostas em vez de dispersar o processo.
A experiência com o Instituto Unibanco mostra como uma metodologia bem estruturada transforma reflexão em proposta concreta, sem abrir mão da autonomia de quem participa. Se sua organização busca criar processos participativos com esse nível de profundidade, entre em contato com a MGN.